Victor Gysembergh, do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS) da França, foi o responsável por encontrar a página.
Os tratados de Arquimedes foram copiados no século 10º. Neles também se encontram seus textos filosóficos, literários e religiosos. Mais tarde, por volta dos séculos 12 e 13, foram apagados e reciclados para se tornarem um eucológio, um livro de orações destinado à liturgia.
A história do palimpsesto, único no mundo, teve um caminho inusitado. O poeta e historiador dinamarquês Johan Ludvig Heiberg (1791-1860) o encontrou no final do século 19. Em 1906, ele o fotografou página por página.
Porém, mais tarde, o documento sumiu em meio à Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Ele reaparece em 1996 na França em uma coleção privada, por ocasião de uma venda em leilão.
Nesse intervalo de tempo, no entanto, desaparecem 3 das 177 páginas do palimpsesto. Uma delas é a que Gysembergh encontrou no Museu de Belas Artes de Blois, no centro da França. A descoberta se deu um pouco por acaso, segundo o pesquisador.
Um dia, no escritório com alguns colegas, ele mencionou o fato de que parte da biblioteca dos reis da França estava preservada em Blois. O pesquisador começou a sua busca por meio do Arca, um catálogo online de manuscritos digitalizados, e ficou boquiaberto.
Comparei a página, tal como se encontra hoje em Blois, com as fotos tiradas em 1906 e que também estão disponíveis online. Quando se tem várias cópias manuscritas de um mesmo texto, sempre aparecem erros. Aqui, o estilo da escrita é exatamente o mesmo, cada letra é exatamente a mesma. A figura geométrica é exatamente a mesma, exatamente no mesmo lugar. Era o tratado de Arquimedes sobre a esfera e o cilindro.
A página contém, de um lado, o texto da cópia, muito visível, e do outro, um desenho recente, provavelmente adicionado no século 20 pelo proprietário, para tentar aumentar o valor do documento.
O pesquisador espera agora poder realizar, no próximo ano, uma análise para decifrar o texto. A descoberta reaviva a esperança de encontrar um dia as outras duas páginas que faltam.
Até este achado, não havia nenhum motivo para esperar que as outras fossem encontradas algum dia. Agora, se instituições ou colecionadores privados possuem esse tipo de manuscritos, devem pensar que poderia se tratar de algum dos outros perdidos.
