O tenista francês Moïse Kouame, de 17 anos, enfrenta o paraguaio Daniel Vallejo nesta quinta-feira pelo segundo turno de Roland-Garros. Desde cedo, o jogador natural de Sarcelles, na região de Val-d’Oise, mostrou aptidões raras nas quadras, especialmente a capacidade de melhorar seu desempenho quando a partida fica mais disputada.
O conselheiro esportivo territorial François Rouhier registrou pela primeira vez o nome de Kouame em janeiro de 2014. “Ele tinha qualidades de coordenação notáveis e amava o tênis, não por razões erradas, como querer agradar os pais”, afirmou. O menino ainda não tinha 5 anos, mas já atendia a todos os critérios de seleção.
Erwan Rebuffé, treinador do atleta por duas temporadas no Tennis Club Sarcellois, destacou o potencial do jovem. “Moïse era muito novo, mas já se percebia que poderia chegar ao top 100 mundial. Não há muitos assim”, disse. Segundo ele, o garoto era educado, respeitoso, curioso e tinha uma facilidade técnica impressionante, além de já conseguir deslizar em quadra dura e bater forte com o forehand.
A mãe do tenista, Suzanne, era muito presente e levava os filhos para jogar nos finais de semana. Rebuffé lembra que Kouame gostava da escola, mas ficava decepcionado quando o treino terminava. Quando perdia uma partida, ficava com raiva, mas minutos depois já estava jogando novamente contra o muro ou com um amigo.
O que mais chamava a atenção dos formadores era sua característica de “matcheur”. Bruce Liaud, que trabalhou com Kouame no Pôle France de Poitiers entre 2021 e 2022, afirmou que ele era um jogador diferente quando havia contagem de pontos. “Ele já tinha essa recusa em perder. Aumentava o nível, a precisão dos golpes e a concentração. Sempre teve essa capacidade de ser melhor nos finais de set”, explicou.
Olivier Delaitre, que acompanhou o tenista na All In Academy entre 2020 e 2021, lembrou que Kouame era menor que os colegas de treino, mas encontrava uma forma de vencer. “Ele jogava para ganhar, não para desenvolver algo trabalhado no treino”, disse. O ex-jogador comparou o estilo de Kouame ao de Gilles Simon, por ter algo a mais quando entrava em quadra.
Mesmo lesionado no punho esquerdo após jogar futebol, o jovem passou quase dois meses treinando apenas slices de backhand com uma mão. Ele perdia quase todos os sets e ficava irritado, mas Liaud acredita que a mediatização repentina não vai atrapalhar o atleta. “Ele é inteligente, determinado e sabe onde quer chegar. Não acho que vá se perder no caminho”, concluiu.
