A Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos) lançou licitações para a construção de dois superpoços para abastecimento de água nas aldeias indígenas Bororó e Jaguapiru, em Dourados. As aldeias ficam a 8 km do Centro de Dourados e a 2 km de condomínios de luxo nas bordas da área urbana.
Com mais de 25 mil pessoas e área de 3,5 mil hectares, as aldeias, se fossem uma cidade, seriam o 20º município mais populoso de Mato Grosso do Sul. Os indígenas enfrentam uma crise crônica de desabastecimento de água. O armazenamento do líquido para consumo se tornou um dos fatores do surto de chikungunya na localidade.
Os editais da concorrência eletrônica foram publicados no dia 18 no Diário Oficial do Estado. Os dois superpoços vão custar até R$ 8.993.645,86. As propostas serão entregues no dia 3 de junho. A perfuração dos poços faz parte da obra de implantação do sistema de abastecimento de água.
O diretor-presidente da Sanesul (Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul), Renato Marcílio, disse ao Campo Grande News que o projeto foi dimensionado como um sistema urbano de médio porte, por causa do tamanho da população atendida. “Cada aldeia vai ter um superpoço. Vamos fazer dois sistemas independentes, cada um com um superpoço de vazão grande, rede de distribuição para todas as unidades de moradia e um sistema pesado de reservação”, afirmou.
Segundo ele, a principal diferença está na profundidade e na capacidade de vazão. “São poços mais profundos, com vazão maior. Tudo é calculado em função da demanda. É como se a gente pegasse um município que não tivesse nada de água e providenciasse toda a estrutura do zero”, disse.
Crise sanitária em Dourados
Além do problema de abastecimento de água, Dourados enfrenta um surto de chikungunya. A cidade já registrou mortes pela doença neste ano. A vacinação contra a chikungunya foi iniciada na cidade. A região sul de Mato Grosso do Sul também passou dos 150 mm de chuva e enfrentou alagamentos após um temporal.
