22/05/2026
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Bruno Gagliasso questiona: “Que homens são esses que não choram?”

O ator Bruno Gagliasso, de 44 anos, precisou se afastar de casa durante as gravações do filme “Por um fio”, baseado no livro homônimo de Drauzio Varella e com estreia prevista para outubro. Na trama, ele interpreta o irmão do médico, que morre de câncer. Para o papel, o ator perdeu 24 quilos e afirmou que o trabalho mexeu tanto com o corpo quanto com a cabeça, tornando-o mais sensível. Ele admite que leva os personagens para casa e é frequentemente definido por diretores como “intenso”.

Bruno está em uma sequência de novos projetos que reforçam essa característica. Entre os próximos trabalhos, ele será líder estudantil no longa “Honestino”, um escravocrata moderno em “Corrida dos bichos”, uma versão branca e de olhos azuis do herói nacional em “Makunaíma XXI”, um perigoso dono de construtora na série “Rauls” e um playboy traficante na sétima temporada de “Impuros”.

Em entrevista ao videocast “Conversa vai, conversa vem”, do GLOBO, o ator falou sobre a preparação para “Por um fio”. Ele disse que olhar para os próprios filhos durante o processo era dolorido e que chorava muito. “Estava insuportável. Queria abraçar e beijar eles o tempo inteiro”, afirmou.

Bruno explicou que não consegue separar o trabalho da vida pessoal e que prefere “existir e não atuar” em seus papéis. Ele disse que, para imprimir verdade em personagens de universos diferentes, busca um encontro consigo mesmo com a ajuda de preparadores. “É por isso que saio de casa: fico longe porque gosto de emburacar”, completou.

O ator também comentou sobre sua primeira produção no cinema, “Clarice vê estrelas”, dedicada à filha Titi. O filme tem 80% do elenco e 90% da equipe formados por pessoas pretas. “É um filme antirracista sem falar sobre racismo. Botar essa criança preta para sonhar, mexer no imaginário e não para sofrer, passar fome, tomar tiro”, disse.

Sobre o longa “Honestino”, que conta a história do líder estudantil desaparecido político, Bruno afirmou que é importante colocar foco em pessoas que deram a vida por justiça e democracia. Ele também falou sobre o desapego estético em alguns papéis e disse que já perdeu protagonistas de novelas por não querer fazer o papel de galã.

Bruno ainda comentou sobre o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDHA), que o acompanha desde criança. Ele disse que não decora textos, mas estuda o sentido das cenas. “Quantas vezes fui filmar no Projac de carro e voltei com o motorista? Esqueci que estava de carro”, brincou.

O ator afirmou que valoriza mais o tempo do que o dinheiro e que não tem o sonho de ter um avião. “Gosto de dinheiro, mas gosto muito mais de tempo. Quero ter tempo para buscar minha filha na escola, levar meu cachorro no veterinário”, concluiu.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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