19/06/2026
Ferro Notícias»Insights»Coreia do Sul usa racismo anti-asiático na Copa

Coreia do Sul usa racismo anti-asiático na Copa

Quem acompanhou os amistosos pré-Copa do Mundo da Coreia do Sul contra Trinidad e Tobago e El Salvador notou algo diferente em campo, especialmente nas camisas. O astro da equipe, Son Heung-min, usou a camisa 13 em vez da tradicional 7. O zagueiro Kim Min-Jae, do Bayern de Munique, trocou a 4 pela 2. Paik Seung-Ho, do Birmingham City, usou a 22 no lugar da 8. A troca lembrou uma estratégia da seleção na Copa de 2018, que usou o racismo contra asiáticos a favor da equipe.

Pouco antes da estreia da equipe em Nizhny Novgorod, na Rússia, em junho de 2018, surgiram informações de que os suecos estavam enviando espiões aos jogos preparatórios e a alguns treinos da Coreia do Sul. Naquela equipe, poucos atletas eram conhecidos globalmente. Dos 23 convocados, Son, então no Tottenham, era o principal astro, mas a maioria atuava no futebol sul-coreano ou japonês.

Com isso em mente, Shin Tae-yong, então técnico sul-coreano, tentou usar em campo um conceito racista do Ocidente, o de que “todos os asiáticos são iguais”, e ordenou que seus atletas trocassem de camisas. “É muito difícil para os ocidentais distinguirem entre asiáticos”, explicou Shin. “Queríamos confundir a equipe sueca. Foi por isso que fizemos isso.”

Em campo, a Coreia do Sul perdeu para a Suécia e para o México, e levou para Seul o feito de ter eliminado a Alemanha, que defendia o título, com uma vitória por 2 a 0. Não está claro se Hong Myung-bo usou a tática dos números antes da Copa do Mundo 2026. Na estreia contra a Tchéquia, os atletas traziam nas camisas seus nomes, e não os sobrenomes.

Mesmo alegando finalidades esportivas, Shin Tae-yong expôs uma antiga prática racista contra pessoas de origem asiática, que se perpetua também no meio esportivo. Em 2024, o apresentador de um programa de TV no Uruguai pediu ao meia Rodrigo Bentancur uma camisa do time. A resposta foi desastrosa. “Do Sonny? Poderia ser primo do Sonny também, já que todos se parecem”, respondeu.

O jogador uruguaio se desculpou, mas não escapou de uma punição de 7 jogos e uma multa na Inglaterra. Son perdoou Bentancur. Também em 2024, Hwang Hee-chan, atacante da Coreia do Sul e do Wolverhampton, denunciou o zagueiro Marco Curto por insultos racistas durante um amistoso. “Channy ouviu um comentário racista”, disse o técnico da equipe inglesa. Curto foi punido pela Fifa com 10 partidas de suspensão.

Avatar photo

Sobre o autor: Sofia Almeida

Ver todos os posts →