02/05/2026
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Dia do Trabalho: cerveja é a bebida do trabalhador? 5 fatos

No Brasil, o Dia do Trabalho ou Dia do Trabalhador começou a ser celebrado no início do século 20, mas só se tornou feriado a partir de um decreto assinado pelo presidente Artur Bernardes em 1924.

A história da cerveja está ligada à história do trabalho. Antes de ser símbolo de descanso, a bebida foi usada como salário, nutrição e ferramenta de mobilização social. Desde tavernas medievais até os pubs da Revolução Industrial, a cerveja serviu como tecido social que uniu trabalhadores ao longo dos séculos.

Para celebrar o 1º de maio em tempos de discussão da escala 6×1, a reportagem do Guia da Cerveja separou cinco fatos históricos que mostram a relação da cerveja com o trabalho.

Salário em estado líquido

Na Antiguidade, muitas civilizações usavam a cerveja como parte do pagamento da mão de obra. Uma tabuleta de argila de 3 mil a.C., do acervo do Museu Britânico, registra as rações de cerveja distribuídas aos operários na cidade de Uruk, na Mesopotâmia. Pagar salário com cerveja também foi comum no Egito Antigo, onde a bebida ajudava na hidratação e nutrição dos trabalhadores.

Saison: o combustível das fazendas

Na Bélgica, a Saison era produzida por fazendeiros durante o outono e inverno para ser vendida aos saisonnieres – trabalhadores temporários que chegavam para a plantação no verão e colheita na primavera. O mestre cervejeiro Phil Markowski explica no Guia Oxford da Cerveja que a Saison era uma “cerveja de provisão”, que atendia a três objetivos: refrescar os trabalhadores no verão, garantir ocupação para a mão de obra fixa no inverno e gerar bagaço para alimentar o gado.

Grisette: a aliada dos mineiros

A Grisette é uma variação da Saison apreciada por mineradores no sul da Bélgica durante a industrialização entre o final do século 18 e o começo do 19. Era uma cerveja leve e refrescante, pensada para ajudar a recuperar as energias após um dia exaustivo de trabalho nas minas. O nome significa “a pequena cinzenta”, podendo fazer referência à aparência turva da bebida ou à condição dos trabalhadores cobertos de cinzas.

Porter: a “rockstar” da Revolução Industrial

A Porter tem o nome dos estivadores do porto de Londres no século 18 e se tornou símbolo da Revolução Industrial, servindo de sustento para a nova massa de operários. O jornalista Martin Cornell, autor de “A História das Cervejas Britânicas”, a considerava a primeira cerveja rockstar do mundo. Acredita-se que tenha surgido como uma mistura de cervejas com diferentes teores alcoólicos nos pubs, consumida principalmente por trabalhadores braçais.

Bitters, German Lagers e o Movimento Trabalhista

Na Inglaterra do século 19, reuniões de trabalhadores eram ilegais até 1824. Muitos encontros ocorriam em pubs, com consumo de Porter, Stout e Bitters. Esse tipo de cerveja acompanhou o crescimento do movimento trabalhista europeu. Nos Estados Unidos, em 1º de maio de 1886, em Chicago, mais de 300 mil trabalhadores fizeram greve exigindo “8 horas de trabalho, 8 horas de descanso e 8 horas de vida”. Três dias depois, ocorreu o massacre de Haymarket. Em 1889, em Paris, a data de 1º de maio foi instituída como símbolo da luta trabalhista. A cerveja que acompanhava os trabalhadores era a German Pils, trazida por imigrantes germânicos.

No Brasil, trabalhadores começaram a comemorar a data no início do século 20, mas ela só se tornou feriado com o decreto de Artur Bernardes em 1924. Em 1º de maio de 1943, Getúlio Vargas assinou a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), instituindo salário mínimo e férias.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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