O Guangzhou FC, fundado em 1954 na cidade chinesa homônima, era conhecido como “Tigres do Sul da China”. O clube viveu boa parte de sua história alternando entre a primeira e a segunda divisão nacional.
A situação piorou em fevereiro de 2010, quando o time foi rebaixado como punição por um esquema de manipulação de resultados identificado em 2006. Uma investigação do Ministério de Segurança Pública levou a prisões de dirigentes do clube, ex-vice-presidentes da Associação Chinesa de Futebol, um árbitro Fifa e jogadores da seleção.
Nesse momento de crise, o clube foi colocado à venda e adquirido ainda em 2010 por 100 milhões de yuans pelo grupo Evergrande, uma gigante do setor imobiliário. Sob o novo nome, Guangzhou Evergrande, o time iniciou uma fase de grandes investimentos.
A gestão do fundador da Evergrande, Xu Jiayin, transformou o clube. Com um forte aporte financeiro, o time passou a ser chamado de “Chelsea da Ásia”. A reformulação começou ainda na segunda divisão, com contratações de peso no futebol local e estrangeiro.
O atacante brasileiro Muriqui foi uma das primeiras contratações. Ele revelou que hesitou ao saber que se tratava de um time da segunda divisão, mas foi convencido pelo projeto de investimentos apresentado.
O clube foi campeão da segunda divisão em 2010 e retornou à elite. Nos anos seguintes, o Guangzhou montou um elenco com jogadores conhecidos do futebol brasileiro, como Conca, Lucas Barrios, Paulinho, Elkeson, Alan, Aloísio, Talisca e Ricardo Goulart.
Além dos jogadores, o clube também investiu em treinadores de renome. Passaram pelo comando técnico os campeões mundiais Marcello Lippi, Fabio Cannavaro e o brasileiro Luiz Felipe Scolari.
Os resultados vieram em forma de títulos. O time conquistou o Campeonato Chinês por oito vezes, a Champions League da Ásia duas vezes, a Copa da China em duas ocasiões e a Supercopa quatro vezes. Felipão se tornou o técnico mais vencedor da história do clube.
Em 2020, foi anunciado um projeto ambicioso: a construção de um estádio para 100 mil pessoas em formato de flor de lótus, com custo estimado em 12 bilhões de yuans. A inauguração estava prevista para 2022.
Entretanto, a holding Evergrande, que financiou toda essa era de ouro, enfrentou uma grave crise. A empresa teve um crescimento exponencial entre 2004 e 2020, impulsionado por uma série de empréstimos. Com o tempo, os juros dessas dívidas se tornaram insustentáveis.
A crise financeira da Evergrande impactou diretamente o clube. Em entrevista, o técnico Luiz Felipe Scolari comentou sobre o ocorrido. Ele disse que a queda foi muito grande e afetou muito os jogadores, deixando-o triste.
Felipão também relembrou a época de sucesso, destacando o carinho do povo e as amizades feitas. Ele afirmou que mantém a alegria de ter vivido aquele momento, que classifica como um dos melhores lugares onde esteve.
O ex-técnico explicou que o projeto do Guangzhou visava desenvolver o futebol chinês para alcançar igualdade de disputa com times tradicionais em competições como o Mundial de Clubes. Segundo ele, a diretoria cumpria com os aportes e respondia rapidamente às necessidades da comissão técnica.
Com a falência da empresa bilionária que o sustentava, o Guangzhou Evergrande, outrora heptacampeão consecutivo chinês, viu seu período de glória chegar ao fim. O clube que atraiu grandes nomes e investiu em infraestrutura ambiciosa fechou suas portas, marcando o desaparecimento de uma das maiores potências futebolísticas já criadas na China.
