19/05/2026
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Médico é preso por armas e investigado por feminicídio

A Polícia Civil investiga se a fisioterapeuta Fabiola Marcotti, de 51 anos, foi morta pelo marido, o médico cardiologista e cirurgião vascular João Jazbik Neto, de 78 anos. A mulher morreu com um tiro no fim da manhã desta segunda-feira (18) e o médico foi levado preso para a Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), onde prestará esclarecimentos.

Segundo a delegada Analu Lacerda Ferraz, Jazbik está preso porque tinha armas sem registro na chácara onde vivia com Fabiola. Questionada pela reportagem se ele estava preso pela suspeita de feminicídio, a delegada respondeu: “não necessariamente, agora, por feminicídio. Ele tá sendo preso por outro crime, porque ele tinha algumas armas sem registro”. “Está sendo tudo verificado, ele tem alguma documentação e essa documentação está sendo levada para a delegacia. A gente ainda não fechou se foi feminicídio”, completou.

A perícia da Polícia Civil retirou da sede do sítio onde a fisioterapeuta morreu pelo menos seis armas longas, parecidas com espingardas e rifles, e um saco de munições. Delegados, investigadores e peritos trabalharam na casa, localizada na Chácara dos Poderes, em Campo Grande, até por volta de 15h30.

No local, também esteve o advogado José Belga Trad, acionado por um filho do médico que vive no interior de São Paulo. “Incipiente até agora é que o filho dele Dr. João me pediu para eu atender o pai. Estava tentando contato com o pai e não conseguiu. Eu vim até aqui a pedido do filho dele, conversei com o Dr. João e ele pediu para eu auxiliá-lo na sua defesa”, afirmou. O advogado afirma que o cliente nega ter atirado contra a esposa. “Nesse primeiro momento tudo está sendo apurado. Ele nega e o que eu peço para todos é que a gente dê o benefício da dúvida, que deve ser garantido a toda pessoa investigada ou acusada”, completou.

Foi o próprio médico quem acionou o socorro, informando que a esposa havia tirado a própria vida com um tiro. O Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) esteve no local e o cardiologista ligou para o 190 (emergência da Polícia Militar) por volta de 11h30. Neste momento, o óbito já havia sido constatado e ele foi orientado a não permitir que acessassem o local até a chegada da PM. Pouco depois, a Deam também foi acionada, além da perícia da Polícia Civil.

Um vizinho que foi até o local afirmou que Fabiola é bem mais nova que Jazbik e que o médico “tinha um ciúme danado” dela. “Ele ficava em cima”. A reportagem apurou ainda que o médico tem registro ativo como CAC (Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador).

O nome do médico já apareceu ligado a episódios controversos. Em 2013, teria sido investigado em sindicância por suposto esquema de cobrança de propina para realização de cirurgias cardíacas pelo SUS (Sistema Único de Saúde) na Santa Casa de Campo Grande. A direção do hospital não citou nomes oficialmente, mas um funcionário demitido relatou à imprensa que João Jazbik Neto estaria entre os suspeitos. A informação nunca foi confirmada pela Santa Casa.

Em 2019, o nome dele foi mencionado no contexto da Operação Omertà. João esteve na casa de Jamil Name no dia em que o empresário foi preso sob a acusação de liderar milícia armada para explorar jogos de azar na Capital. Ainda naquele ano, a defesa do alvo da operação tentou autorização judicial para que o cardiologista, apontado como médico de confiança de Name, entrasse no Centro de Triagem Anísio Lima para atender o preso.

Vinte anos antes, João Jazbik Neto foi citado em matéria da Folha de S. Paulo. Dono de cinco fazendas no Pantanal e de cerca de 10 mil cabeças de gado, ele deu uma entrevista em que criticou a discussão sobre o desarmamento no Brasil. Na época, com 51 anos, ele dizia que “fatalmente” seria preso caso fosse aprovado o projeto que proíbe armas no País e que era “um absurdo” que fazendeiros tenham de andar desarmados no campo. Afirmou ainda que pertencia a um clube de tiro em Campo Grande e tinha uma coleção de 20 armas.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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