Ao longo dos anos, Campo Grande coleciona histórias engraçadas quando o assunto é shows icônicos que passaram por aqui. Já teve fã mordendo senhor no aeroporto por causa dos Menudos, Chorão encerrando apresentação com banho de champagne e adolescentes desmaiando de emoção por ficarem perto dos Mamonas Assassinas. De quebra, Rita Lee confundindo Mato Grosso do Sul com Mato Grosso e xingando a galera no antigo Twitter.
Na década de 1980, a boy band porto-riquenha Menudos provocou uma verdadeira febre entre as sul-mato-grossenses. A recepção no aeroporto reuniu fãs aos gritos e, anos depois, uma história continuava sendo lembrada: uma jovem apaixonada pelo grupo chegou a agredir um homem que fazia comentários maldosos sobre os ídolos. O resultado foi uma ida ao hospital e quatro pontos no ferimento. Com estádios lotados e mais de 50 mil pessoas acompanhando as apresentações, o grupo deixou sua marca na cidade.
Nos anos 1990, os Mamonas Assassinas transformaram Campo Grande em um grande palco de euforia. O show no Albano Franco reuniu uma multidão que acompanhou a banda desde a chegada ao aeroporto até a apresentação. Algumas fãs chegaram a passar mal pelos músicos. O que pouca gente sabe é que Carlos Alberto Rezende, ou professor Carlão, foi o responsável por trazer o grupo para cá. Em 2025 ele relembrou o momento em que a cidade foi “tomada” por fãs e pessoas passando mal no aeroporto. “Eu vi a música Vira na TV, que era um dos grandes sucessos deles, e arrisquei. Assinei o contrato e trouxe o show”, recorda.
Em junho de 2012, cerca de 100 mil pessoas tomaram conta do Parque das Nações Indígenas para assistir ao Charlie Brown Jr. no MS Canta Brasil. O público era formado por gente que havia passado a adolescência ouvindo as músicas de Chorão. Nem o atraso, por problemas técnicos, de quase 2 horas esfriou os ânimos de quem estava animado. A apresentação terminou em clima de celebração, com banho de champagne no palco e Chorão deixando Campo Grande com a promessa de voltar. “Foi demais, estou muito feliz. Quero voltar”, disse na época.
Rita Lee também deixou sua assinatura em Campo Grande. O show aconteceu em 2011 para cerca de 70 mil pessoas no Parque das Nações Indígenas. Nos bastidores, conversou com o trio Hermanos Irmãos e se encantou com a mistura de polca paraguaia e rock apresentada pelos músicos. Durante a passagem dela por aqui, Rita acabou cometendo a gafe que muitos artistas comentem: confundir Mato Grosso do Sul com Mato Grosso. Tempos depois, durante um show no Festival de Inverno de Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso, a cantora agradeceu o carinho do “povo de Mato Grosso do Sul”. Na época ela disse que era para “vingar” o povo de MS.
O Guns N’ Roses entrou para a história de Campo Grande, não só pelo show épico, mas porque a logística deixou uma boa parte dos fãs na BR-262, presos no engarrafamento que durou mais de 6 horas. A expectativa era que 35 mil pessoas estivessem na arena do Autódromo Internacional Orlando Moura. Muitas pessoas não chegaram a assistir aos ídolos do rock. Os que conseguiram tiveram que andar até 13 km para chegar a tempo. Quando o show ainda atrasou para começar, a tensão aumentou. A própria mãe do Axl Rose subiu ao palco para pedir desculpas.
A música eletrônica ganhou seu momento de glória quando David Guetta desembarcou no Jóquei Clube. Diante de um público estimado entre 20 e 25 mil pessoas, o DJ francês comandou uma madrugada de luzes, jatos de fogo, papel prateado e milhares de celulares erguidos para registrar cada momento.
Em 2019, Marília Mendonça desembarcou na Capital para gravar o projeto “Te Vejo em Todos os Cantos” e conseguiu lotar o Parque das Nações Indígenas com menos de 12 horas de divulgação. O show tinha clima de encontro entre amigos. Marília conversou diretamente com o público, brincou, agradeceu a paciência da multidão e conduziu a gravação da música “Obrigada por Estragar Tudo”. Anos depois, com a morte precoce da artista em um acidente aéreo, a gravação ganhou um significado ainda mais especial para quem esteve lá.
Em 2009, Luan Santana escolheu Campo Grande para gravar seu primeiro DVD. Aproximadamente 75 mil pessoas acompanharam a apresentação. Muitas adolescentes sonhavam em chegar ao camarim e algumas conseguiram subir ao palco para abraçar o cantor. O DVD ajudou a transformar sucessos como “Meteoro” em fenômenos nacionais.
A dupla Sandy & Junior voltou à Capital em 2005 para gravar o DVD da turnê “Identidade”. O palco foi montado no Parque de Exposições Laucídio Coelho e o show, com entrada gratuita, reuniu milhares de fãs. A apresentação foi exibida na TV na virada do ano. Para uma geração inteira, Sandy & Junior não eram apenas cantores, mas parte da trilha sonora da vida.
Para fechar, o RPM provou que algumas músicas não envelhecem. Quando a banda se apresentou em Campo Grande, durante o Festival do Sobá de 2013, quem tomou conta da frente do palco foi o público que viveu a juventude nos anos 1980. O grupo comemorava 30 anos de carreira e levava aos palcos a mesma energia que o transformou em um dos maiores fenômenos da música brasileira.
