19/06/2026
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Mulheres ampliam vantagem na escolarização após os 15 anos em MS

Mulheres ampliam vantagem na escolarização após os 15 anos em MS

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua Educação de 2025, divulgados nesta sexta-feira (19) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que as mulheres ampliam a vantagem na escolarização em Mato Grosso do Sul a partir dos 15 anos. Até os 14 anos, os meninos apresentam taxas ligeiramente superiores. Após essa idade, as mulheres lideram todos os indicadores de permanência e progressão nos estudos.

A maior diferença foi registrada entre jovens de 18 a 24 anos. Nessa faixa, a taxa de escolarização masculina foi de 28,7%, enquanto a feminina chegou a 40,2%, uma vantagem de 11,5 pontos percentuais. O estudo também aponta uma redução na presença masculina na educação nessa faixa etária na última década. Em 2016, a taxa era de 33,3% e, em 2025, caiu para 28,7%.

No ensino médio, entre jovens de 15 a 17 anos, a taxa ajustada de frequência escolar líquida das mulheres foi de 79,1%, contra 65,3% dos homens. No ensino superior, entre 18 e 24 anos, as mulheres registraram 36,5%, enquanto os homens tiveram 23,7%.

O levantamento também revela desafios para o estado. A taxa de escolarização de crianças de 0 a 5 anos foi de 57% em 2025, abaixo dos 57,9% de 2024. Com isso, Mato Grosso do Sul caiu da 12ª para a 18ª posição no ranking nacional. No país, os melhores resultados foram em São Paulo (70,5%), Santa Catarina (67%) e Ceará (61,5%). O menor foi no Amapá, com 30,7%.

Entre os grupos etários, a maior taxa de escolarização no estado foi entre crianças e adolescentes de 6 a 14 anos, com 99,5%. O menor índice apareceu entre pessoas com 25 anos ou mais, faixa em que apenas 5,2% frequentavam alguma instituição de ensino.

Desigualdades raciais

Os dados por cor ou raça mostram desigualdades. Entre jovens de 18 a 24 anos, a taxa de escolarização de brancos foi de 42,4%, enquanto a de pretos ou pardos foi de 28,9%. Já na faixa de 0 a 5 anos, a escolarização foi maior entre pretos e pardos (60,5%) do que entre brancos (53,6%).

No ensino superior, entre 18 e 24 anos, 42% dos brancos frequentavam ou haviam concluído a graduação na idade adequada. Entre pretos e pardos, o percentual foi de 21,9%.

Ensino fundamental e outros níveis

A taxa ajustada de frequência escolar líquida no ensino fundamental para crianças de 6 a 14 anos alcançou 96% em 2025, crescimento de um ponto percentual em relação a 2024. O estado atingiu a meta do Plano Nacional de Educação (PNE 2026-2036), que prevê 95% de conclusão na idade adequada. Apesar do avanço, Mato Grosso do Sul ficou na 18ª colocação nacional.

Nos demais níveis, houve queda. Entre adolescentes de 15 a 17 anos, a taxa no ensino médio foi de 72,2%, recuo de 0,5 ponto percentual. Entre jovens de 18 a 24 anos, a taxa no ensino superior caiu de 31,1% para 30%.

Distribuição dos estudantes

O ensino fundamental concentrou o maior número de alunos em 2025, com 382 mil estudantes. Somados os matriculados na Alfabetização de Jovens e Adultos (AJA) e na Educação de Jovens e Adultos (EJA), o total chega a 385 mil. Na sequência, aparecem ensino superior (140 mil), creche e pré-escola (135 mil), ensino médio e EJA (120 mil) e pós-graduação (31 mil).

A rede pública é predominante na educação básica. Dos 385 mil estudantes do ensino fundamental, 334 mil estavam em instituições públicas. No ensino superior, a rede privada superou a pública: 92 mil contra 48 mil. Na pós-graduação, eram 20 mil na privada e 11 mil na pública.

A participação das universidades públicas no ensino superior cresceu. Em 2016, eram 36 mil estudantes na rede pública; em 2025, o número subiu para 48 mil. No setor privado, houve estabilidade com leve redução, de 93 mil para 92 mil.

Nível de instrução da população adulta

Entre os 1,86 milhão de moradores com 15 anos ou mais, o maior grupo é de pessoas com ensino médio completo, EJA ou curso equivalente: 719 mil pessoas (38,6%). As mulheres concentram os maiores níveis de escolaridade. Entre elas, 20,5% frequentaram ou concluíram a graduação e 8,6% alcançaram pós-graduação. Entre os homens, os percentuais foram de 17,1% e 4,3%, respectivamente.

Entre brancos com 15 anos ou mais, 24,4% haviam frequentado ou concluído a graduação. Entre pretos e pardos, o percentual foi de 14,6%. Na pós-graduação, 8,8% dos brancos tinham especialização, mestrado ou doutorado, contra 4,8% de pretos e pardos. Os maiores percentuais de pessoas com escolaridade limitada ao ensino fundamental continuam entre a população preta e parda.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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