Ao longo da história mundial, a jornada de trabalho tem diminuído devido a três fatores principais: enriquecimento social, adoção de tecnologias que aumentam a produtividade e democracia. Além disso, é comum registrar jornadas de trabalho mais extensas em regimes ditatoriais.
Países com sistemas de social-democracia, como os da Europa, normalmente têm uma jornada de trabalho semanal média de 30 horas. Essas sociedades, com alta qualidade de vida e educação superior, adotaram tecnologias modernas e escolheram trabalhar menos para aproveitar sua riqueza acumulada. Isso indica que seu nível de consumo atual já é satisfatório para um bom padrão de vida, permitindo a redução da produção.
No contexto brasileiro, atualmente discute-se a redução da jornada de trabalho e a eliminação da escala de trabalho 6×1. Há várias propostas sendo debatidas democraticamente. É provável que a redução da jornada semanal atual de 44 horas para 40 horas, com dois dias de descanso, seja implementada sem alterar a remuneração mensal. As mudanças podem ser introduzidas através de emenda constitucional ou projeto de lei, este último requerendo um quórum menor para aprovação.
Trabalhar menos mantendo o mesmo salário é uma ideia aparentemente atraente, apoiada tanto por elementos da direita quanto da esquerda. No entanto, surge a questão de quanto custa trabalhar menos e, consequentemente, produzir menos. Contra-argumentos sugerem que ter mais tempo de lazer não necessariamente torna os trabalhadores mais produtivos. Na verdade, o contrário parece ser verdadeiro: sendo mais produtivos através de maior educação e adoção de tecnologia, os trabalhadores geram mais riqueza e assim têm a possibilidade de trabalhar menos.
Dados da PNAD Contínua indicam que as horas de trabalho semanal efetivamente trabalhadas no Brasil têm diminuído modestamente. Entre 2012 e 2015, as horas de trabalho por semana eram de 38,9 em média, diminuindo para 38,4 entre 2022 e 2025. Durante esse período, a produtividade do trabalho não aumentou e permaneceu baixa.
Um estudo realizado por economistas para a Associação Brasileira das Companhias Abertas revelou que as horas semanais efetivamente trabalhadas no Brasil variam de 20 a mais de 44, e as escalas variam igualmente. Algumas categorias trabalham seis dias com um dia de descanso, enquanto outras operam em uma escala de 12×36. No grande comércio, indústria e setores agrícolas mecanizados, a jornada normalmente é de 40 horas semanais com dois dias de descanso.
Finalmente, trabalhar menos pode levar a uma produção menor e, portanto, a um crescimento menor. O custo por hora trabalhada pode aumentar para as empresas, que podem reagir aumentando preços, demitindo funcionários ou substituindo pessoas por máquinas. No entanto, o Brasil possui uma democracia ativa e uma economia diversificada. Negociações coletivas têm se mostrado eficazes para resolver as situações específicas de cada setor.
