13/04/2026
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Reação a Erros na Reportagem da CNN Brasil: Nota de Esclarecimento

A respeito da reportagem “Documentos revelam falhas estruturais em depósitos de rejeitos radioativos”, publicada pela CNN Brasil em 26/02/2026 e apresentada de forma sensacionalista sobre as instalações do Instituto de Engenharia Nuclear (IEN/CNEN), é importante registrar as graves omissões e distorções que interferem na correta compreensão dos fatos pela sociedade, apesar de todo o esclarecimento técnico fornecido pela CNEN.

A reportagem teve acesso prévio a documentos oficiais da Defesa Civil do Estado do Rio de Janeiro, do Instituto de Radioproteção e Dosimetria (IRD) que é parte da Autoridade Nacional de Segurança Nuclear e ao laudo técnico elaborado por uma empresa de engenharia estrutural contratada pelo IEN/CNEN. Estes três relatórios técnicos atestam que não há o risco de colapso estrutural dos edifícios, informação essencial que foi deixada de lado ou colocada de forma secundária no texto divulgado.

A reportagem, em particular na versão para a TV, compara recortes de imagens do relatório técnico, que apontam pontos específicos para correção em uma estrutura, ao acidente radiológico de Goiânia ocorrido em 1987. O acidente em Goiânia foi causado por roubo de equipamento de radioterapia em uma clínica desativada e violação inadvertida da fonte radioativa. Isto é uma situação totalmente diferente. Essa comparação é tecnicamente inadequada e leva ao erro ao associar de forma alarmista e desproporcional.

Cabe esclarecer que o material armazenado está devidamente contido e monitorado; que do ponto de vista ambiental, ocupacional e do público, as condições de segurança e proteção radiológica são garantidas; e que a própria Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) confirmou que a população ao redor está protegida pelas barreiras de confinamento existentes e pelo acesso controlado à instalação. Esta última informação foi apenas mencionada ao final da matéria, sem o devido destaque.

A reportagem também recebeu a informação de que está em adequação um edifício (“Galpão L”), projetado para atender plenamente aos diversos requisitos regulatórios, com conclusão prevista para maio de 2026. Esse prédio permitirá o armazenamento dos rejeitos em condições modernas e adequadas, e, após a transferência, viabilizará que a edificação original passe por as manutenções e reparos necessários.

É incorreto o argumento de que a transferência do material “envolve riscos e, portanto, não está autorizada”. Processos dessa natureza seguem um rito regulatório próprio: as autorizações são formalmente solicitadas e o órgão regulador verifica o cumprimento de todas as exigências técnicas e de segurança. Somente após a conclusão das obras, inspeção e análise técnica é que a ANSN definirá sobre a permissão da transferência entre os edifícios, que estão localizados dentro do próprio IEN/CNEN. Isto é um procedimento padrão de controle regulatório, e não um impedimento por risco iminente.

A reportagem foi construída a partir de informações parciais de relatórios e uso seletivo de imagens, favorecendo uma narrativa já orientada à tese de risco de colapso e dispersão de contaminantes – cenário que não encontra respaldo nos laudos técnicos disponíveis da Defesa Civil, do IRD/ANSN e da empresa de engenharia estrutural contratada pelo IEN/CNEN.

A segurança radiológica é tratada com rigor técnico e regulatório, e as medidas preventivas continuam sendo adotadas de forma contínua, responsável e transparente. Todas as informações e esclarecimentos a respeito das medidas adotadas ao longo do tempo tem sido acompanhadas pelos órgãos de controle e regulatório (Ministério Público Federal, Auditoria Interna da CNEN, Controladoria Geral da União e Autoridade Nacional de Segurança Nuclear).

A CNEN continua disponível para qualquer instituição ou cidadão, através de suas redes sociais e canais oficiais de comunicação, para todo e qualquer esclarecimento que se faça necessário.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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