O IBGE divulgou nesta quarta-feira (19) as estimativas de sub-registro e subnotificação de nascimentos e óbitos de 2024. O estudo mostra que o Centro-Oeste, região onde está Mato Grosso do Sul, já tem alta cobertura no registro de nascimentos, mas ainda perde informações sobre mortes, principalmente de crianças com menos de 1 ano.
A pesquisa compara dados de duas bases nacionais. De um lado, o Registro Civil de Pessoas Naturais, alimentado pelos cartórios e consolidado pelo IBGE. De outro, os sistemas do Ministério da Saúde, como o Sinasc (Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos) e o SIM (Sistema de Informações sobre Mortalidade). O objetivo é medir quantos nascimentos e óbitos ficam fora desses registros.
Sub-registro é quando um nascimento ou óbito não aparece no Registro Civil. Subnotificação é a ausência desses eventos nos sistemas do Ministério da Saúde. No caso dos nascimentos, o Centro-Oeste está entre as regiões com menor falha de cobertura.
Em 2024, a taxa de sub-registro de nascidos vivos no Registro Civil foi de 0,58% na região. A subnotificação no Ministério da Saúde ficou em 0,27%. Os números são muito menores que os do Norte, com 3,53% de sub-registro, e do Nordeste, com 1,34%.
Isso coloca Mato Grosso do Sul em um bloco regional onde o registro de nascimento é mais consolidado. O dado não quer dizer que o problema acabou, apenas que, em comparação com outras partes do país, o Estado tem menor perda de informação sobre nascidos vivos.
A situação muda quando se trata de óbitos. Para mortes em geral, o Centro-Oeste registrou 2,25% de sub-registro no Registro Civil e 0,58% de subnotificação no SIM. O índice regional é menor que o do Norte, com 11,36%, e do Nordeste, com 7,84%, mas fica acima do Sul e do Sudeste no sub-registro cartorial.
O dado mais preocupante está nas mortes de crianças menores de 1 ano. No Brasil, o sub-registro nessa faixa chegou a 10,80% em 2024. No Centro-Oeste, o índice foi de 5,86%. É menos que a média nacional, mas ainda representa uma falha importante em uma informação usada para medir mortalidade infantil e orientar políticas de saúde.
O levantamento também mostra que o problema diminuiu no Brasil na última década. Entre os nascidos vivos, o sub-registro nacional caiu de 4,21% em 2015 para 0,95% em 2024. A subnotificação no Ministério da Saúde recuou de 2,01% para 0,39% no mesmo período. Nos óbitos, a queda foi mais lenta: o sub-registro passou de 4,89% em 2015 para 3,40% em 2024, enquanto a subnotificação caiu de 2,32% para 1,00%.
O IBGE relaciona a qualidade desses registros a metas internacionais da Agenda 2030 da ONU (Organização das Nações Unidas), especialmente as que tratam da redução de mortes evitáveis de recém-nascidos e crianças menores de 5 anos, além da garantia de identidade legal para todos, incluindo o registro de nascimento.
