18/07/2026
Ferro Notícias»Notícias»Usina faz novo vertimento para conter plantas no Rio Pardo

Usina faz novo vertimento para conter plantas no Rio Pardo

Usina faz novo vertimento para conter plantas no Rio Pardo

A Usina Hidrelétrica Assis Chateaubriand, em Ribas do Rio Pardo, realizou um novo vertimento controlado de plantas aquáticas nesta sexta-feira (17). O procedimento foi feito para conter a proliferação de macrófitas que afetam o Rio Pardo. A Elera Renováveis, responsável pela operação da usina, informou que as condições ambientais voltaram a ser favoráveis para a ação, que segue um plano de manejo.

Vídeos gravados por moradores na semana passada mostram trechos do rio cobertos pelas plantas. O avanço das macrófitas começou em fevereiro de 2025, quando o reservatório da usina passou a apresentar grandes áreas tomadas pela vegetação flutuante. A situação dificulta a navegação, a pesca e atividades de lazer. Mais de um ano depois, as causas do fenômeno ainda não foram concluídas oficialmente, e o caso é alvo de uma ação judicial.

Em nota, a Elera Renováveis afirmou que os vertimentos são aberturas controladas das comportas para aumentar a vazão da água e deslocar as macrófitas acumuladas. A ação é autorizada pelo Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul). O primeiro vertimento ocorreu em 28 de outubro do ano passado. Desde então, as operações são feitas quando os níveis do rio permitem, conforme plano de manejo aprovado pelo órgão ambiental.

A empresa disse que o reservatório tem 18% de cobertura por espécies flutuantes, abaixo do limite técnico de controle, estimado em 25%. O período de estiagem, iniciado em abril, favorece a proliferação das macrófitas e reduz a vazão do rio, tornando os vertimentos menos frequentes. A Elera sustenta que a presença das plantas faz parte da dinâmica natural dos ambientes aquáticos e pode ter funções ecológicas, como abrigo e alimento para a fauna. A empresa realiza monitoramentos periódicos da qualidade da água e das comunidades aquáticas.

Moradores afirmam que a situação continua afetando o uso do rio. Proprietários de imóveis relataram que as plantas se deslocam conforme a vazão e as condições climáticas, acumulando-se em diferentes pontos. Eles também relataram mau cheiro, dificuldade para navegar e prejuízos ao lazer.

A professora Edna Scremin-Dias, do Instituto de Biociências da UFMS, explicou que a proliferação das macrófitas indica um processo de eutrofização. O problema é causado pelo excesso de nutrientes na água, possivelmente ligado a atividades agropecuárias, esgoto e redução da vazão do rio. A presença da barragem altera o fluxo da água e favorece o acúmulo de sedimentos. A pesquisadora disse que são necessárias análises químicas para identificar a origem dos nutrientes e definir medidas para mitigar o problema.

Avatar photo

Sobre o autor: Sofia Almeida

Ver todos os posts →