A Adecoagro firmou contrato com a Raízen para adquirir a Usina Caarapó, localizada no município de mesmo nome, em Mato Grosso do Sul. O valor da transação é de R$ 760 milhões, o equivalente a aproximadamente US$ 418 milhões, com pagamento à vista no fechamento da operação. O negócio inclui o ativo industrial, a cana-de-açúcar própria e os contratos de fornecimento da matéria-prima.
Na safra 2025/26, a Usina Caarapó processou cerca de 3,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. A unidade produz açúcar, etanol hidratado e anidro, além de energia renovável. A aquisição está alinhada à estratégia de expansão da Adecoagro na região. A companhia já possui outras duas usinas em Mato Grosso do Sul, em Ivinhema e Angélica, ambas a aproximadamente 100 quilômetros da unidade de Caarapó.
Renato Junqueira Santos Pereira, vice-presidente de Açúcar, Etanol e Energia da Adecoagro, afirmou que a aquisição é uma extensão natural da presença industrial da empresa no Estado. Segundo ele, a usina será integrada à estratégia de cluster, permitindo processar cana-de-açúcar adicional e utilizar infraestrutura compartilhada.
Com a compra, a Adecoagro passa a operar três usinas em Mato Grosso do Sul e iguala a Atvos em número de unidades industriais no Estado. A Atvos possui três plantas: Santa Luzia, em Nova Alvorada do Sul; Costa Rica, em Costa Rica; e Eldorado, em Rio Brilhante.
A empresa projeta que o ativo contribua positivamente para o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização ajustado desde o primeiro dia de operação, com ganhos adicionais à medida que forem capturadas sinergias entre as três usinas do grupo. Mariano Bosch, cofundador e CEO da Adecoagro, disse estar satisfeito com a transação, que deve fortalecer a plataforma de bioenergia da companhia.
A conclusão da operação depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e do cumprimento das demais condições previstas no contrato. O fechamento está previsto para ocorrer até 1º de outubro de 2026.
A venda marca a saída definitiva da Raízen da produção de bioenergia em Mato Grosso do Sul. A companhia iniciou em 2025 um programa de desinvestimentos para reduzir o endividamento. Com a negociação da unidade de Caarapó, chega à sexta usina sucroenergética vendida no período. Antes, a empresa já havia negociado as usinas Rio Brilhante e Passa Tempo para a Cocal Agroindustrial, em operação de R$ 1,543 bilhão. Além das vendas, a Raízen colocou outras seis usinas em hibernação como parte da reestruturação.
