A Atvos lança na próxima quarta-feira (1º), em Nova Alvorada do Sul, a pedra fundamental de sua primeira usina de etanol de milho. O projeto marca a implantação da primeira operação integrada de cana-de-açúcar e milho da companhia. O investimento é superior a R$ 1 bilhão.
A nova planta será instalada na Unidade Santa Luzia, que hoje produz etanol a partir da cana-de-açúcar. A ideia é integrar as duas cadeias produtivas. A biomassa do bagaço de cana será usada para gerar a energia necessária ao processamento do milho, o que deve aumentar a eficiência operacional e reduzir custos.
Quando entrar em operação, a unidade terá capacidade para processar 642 mil toneladas de milho por ano. A produção será de 273 milhões de litros de etanol, além de 183 mil toneladas de DDG (grãos secos de destilaria) e 13 mil toneladas de óleo de milho anualmente. O DDG é um coproduto de alto valor proteico usado na nutrição animal.
O CEO da Atvos, Bruno Serapião, afirmou que a integração entre as operações de cana e milho deverá reduzir em até 10% o custo de produção do etanol na unidade. A estratégia considera o aumento da demanda esperado com a ampliação da mistura obrigatória de etanol à gasolina para até 35%, prevista na Lei do Combustível do Futuro.
Durante a fase de implantação, o empreendimento deve gerar cerca de 2 mil empregos. A companhia também firmou termo de compromisso com o Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul), destinando R$ 2,8 milhões em compensação ambiental.
A entrada da Atvos reforça um setor em expansão em Mato Grosso do Sul. O Estado já tem três usinas de etanol de milho em operação: duas da Inpasa, em Sidrolândia e Dourados, e uma da Neomille, em Maracaju. Com a nova unidade, a Atvos passará a operar a quarta usina do segmento no Estado. A empresa já anunciou planos para uma segunda unidade em Costa Rica.
Outros investimentos na cadeia incluem a ampliação da unidade da Inpasa em Sidrolândia e o projeto de uma nova usina de etanol de milho em Jaraguari. Mato Grosso do Sul se consolida como um dos principais polos do setor no país.
Segundo a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), Mato Grosso do Sul produziu 2,128 bilhões de litros de etanol de milho na safra 2025/2026. O volume equivale a 20,92% da produção nacional. O Estado é o segundo maior produtor brasileiro. Em relação à safra anterior, o avanço foi de 33,9%, quando foram produzidos 1,589 bilhão de litros.
A expansão também impulsiona a produção de DDG. De acordo com a Aprosoja/MS (Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso do Sul), o Estado produziu cerca de 1,4 milhão de toneladas de DDG no ano passado. Foram exportadas 1,15 milhão de toneladas. Os principais destinos foram Nova Zelândia (27%), Turquia (23%), Vietnã (22%) e Espanha (18%).
