03/08/2026
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Avião alemão sobrevoa Pantanal para medir gases do efeito estufa

Avião alemão sobrevoa Pantanal para medir gases do efeito estufa

Um avião-laboratório alemão começou a sobrevoar o Pantanal de Mato Grosso do Sul na última sexta-feira (31) para medir as concentrações de dióxido de carbono (CO₂) e metano (CH₄) na atmosfera. A operação integra a campanha científica CoMet 3.0 Tropics, uma parceria entre Brasil e Alemanha que também fará medições na Amazônia e no Cerrado até meados de setembro.

Dados do site de rastreamento FlightRadar24 mostram que a aeronave, um Gulfstream G550 registrado sob o prefixo D-ADLR e operado pelo Centro Aeroespacial Alemão, realizou duas missões no espaço aéreo sul-mato-grossense na sexta-feira, ambas partindo de Cuiabá (MT), onde está baseada. O primeiro voo decolou às 8h20 e permaneceu no ar por 5 horas e 42 minutos. O segundo saiu às 18h16, com duração de 2 horas e 26 minutos. Os trajetos se concentraram sobre o Pantanal, na região de Corumbá, e no norte do estado.

A campanha reúne cerca de 120 pesquisadores de instituições brasileiras e alemãs. No Brasil, a coordenação é do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), sob liderança do pesquisador Dirceu Herdies. Pelo lado alemão, a coordenação é do cientista Andreas Fix, do DLR. O objetivo é obter medições inéditas dos fluxos e concentrações de carbono e metano nos trópicos úmidos. As informações servirão para complementar sistemas de observação terrestre e por satélite, reduzir incertezas em modelos climáticos e calibrar instrumentos científicos.

Pantanal terá foco nas emissões de metano

Cada bioma estudado tem um objetivo específico. No Pantanal, o foco está na medição das emissões de metano das áreas alagadas, gás com potencial de aquecimento global superior ao do dióxido de carbono. Na Amazônia, os estudos buscam compreender o balanço de carbono da floresta. No Cerrado, a atenção está voltada para as emissões das queimadas.

“O avião vai voar sobre o Pantanal para verificar as emissões de metano das regiões alagadas. A Amazônia é extremamente importante para conhecermos o balanço de carbono. No Cerrado, nosso foco são as emissões das queimadas”, explicou o professor do Instituto de Física da USP e pesquisador do ATTO (Observatório da Torre Alta da Amazônia), Luiz Machado.

A área de atuação abrange uma extensa faixa do território brasileiro, incluindo Corumbá (MS), Palmas (TO), Santarém (PA), a Torre Alta da Amazônia (ATTO), ao norte de Manaus (AM), e Porto Velho (RO).

Avião é equipado com tecnologia a laser

A aeronave é conhecida como HALO (High Altitude and Long Range Research Aircraft), versão científica do jato executivo Gulfstream G550. O modelo opera em altitudes entre 850 metros e 15 mil metros, próximo ao limite da troposfera. Entre os equipamentos embarcados está um sistema Lidar (Light Detection and Ranging), tecnologia baseada na emissão de pulsos de laser para medir com precisão as concentrações de dióxido de carbono e metano. A aeronave também leva instrumentos de sensoriamento remoto para identificar gases de efeito estufa e outros traçadores usados para caracterizar massas de ar.

Base da missão fica em Cuiabá

O avião chegou ao Brasil em 25 de julho, por Fortaleza (CE). Após passar por inspeções das autoridades brasileiras e embarcar pesquisadores nacionais, iniciou os voos científicos. No deslocamento entre Fortaleza e Cuiabá, a equipe sobrevoou a represa da Usina Hidrelétrica Serra da Mesa, em Minaçu (GO). O local foi escolhido porque reservatórios com vegetação submersa são fontes naturais de emissão de metano, resultado da decomposição da matéria orgânica após o alagamento.

Campanha segue até setembro

A campanha CoMet 3.0 Tropics deve realizar aproximadamente 15 voos científicos até meados de setembro. Cada missão pode durar até 10 horas, aproveitando a autonomia da aeronave. Os voos ocorrem em diferentes horários, durante o dia e à noite, conforme os objetivos científicos de cada etapa. Por questões operacionais e de segurança, estão previstos até três voos por semana. As medições obtidas deverão ampliar o conhecimento sobre o comportamento dos principais gases de efeito estufa em três dos mais importantes biomas brasileiros e contribuir para estudos sobre mudanças climáticas desenvolvidos por instituições de pesquisa do Brasil e da Alemanha.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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