11/07/2026
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Corrida por tilápia antecipa tarifa dos EUA

Corrida por tilápia antecipa tarifa dos EUA

Mato Grosso do Sul, terceiro maior exportador brasileiro de tilápia no primeiro semestre de 2026, está entre os estados mais expostos a uma eventual sobretaxa dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Entre janeiro e junho, o Estado exportou US$ 5,313 milhões e 810,929 toneladas do pescado, das quais 83,84% da receita e 84,50% do volume tiveram o mercado norte-americano como destino.

A possibilidade de impacto ganha relevância diante de avaliação do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, sobre o desempenho do setor em junho. Segundo o centro de pesquisas, o volume e a receita das exportações brasileiras de tilápia e produtos secundários atingiram, naquele mês, os maiores níveis de 2026.

O Cepea avalia que o avanço pode estar relacionado a uma tentativa dos produtores de antecipar embarques antes de eventuais tarifas impostas pelos Estados Unidos. O movimento ocorreu em um período marcado por demanda interna enfraquecida e dólar mais elevado. O centro de pesquisas, no entanto, não apresenta nesse levantamento um detalhamento específico sobre os embarques de Mato Grosso do Sul em junho. A associação com o mercado estadual decorre da posição do Estado entre os principais exportadores e, sobretudo, da elevada concentração das vendas no mercado norte-americano.

O Brasil exportou US$ 21,662 milhões em tilápia entre janeiro e junho de 2026, correspondentes a 3.818,346 toneladas, segundo dados do ComexStat, sistema do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços). Mato Grosso do Sul respondeu por 24,53% da receita nacional e 21,24% do volume embarcado no período. O Estado ficou atrás apenas do Paraná, que exportou US$ 10,162 milhões e 2.034,663 toneladas, e de São Paulo, com US$ 5,690 milhões e 842,683 toneladas.

Das exportações sul-mato-grossenses, 671,224 toneladas foram de filés de tilápia frescos, refrigerados ou congelados. Esses embarques geraram US$ 4,937 milhões, equivalentes a 92,93% da receita e 82,77% do volume exportado pelo Estado. As vendas de tilápias frescas ou refrigeradas somaram 139,705 toneladas e renderam US$ 375,576 mil. Essa categoria respondeu por 7,07% da receita e 17,23% do volume.

Os Estados Unidos compraram 685,248 toneladas da tilápia exportada por Mato Grosso do Sul, com receita de US$ 4,454 milhões. O México apareceu na sequência, com US$ 577,230 mil, seguido pelo Canadá, com US$ 217,494 mil. Estônia, Timor-Leste, Vaticano e Palestina completaram a relação de destinos. A concentração mostra que mais de quatro em cada cinco dólares recebidos pelo Estado com as exportações do pescado vieram do mercado norte-americano. Por isso, uma eventual barreira tarifária teria alcance direto sobre o principal destino comercial da tilápia sul-mato-grossense.

Enquanto os embarques brasileiros cresceram, as cotações da tilápia recuaram em junho em todas as praças acompanhadas pelo Cepea. Segundo o centro, o mercado operou de forma lenta, diante da baixa demanda, e algumas regiões registraram quedas que não eram observadas desde agosto de 2025. Colaboradores consultados pelo Cepea relataram que o enfraquecimento da procura pressionou os preços e dificultou as negociações, mesmo sem aumento expressivo na oferta de peixes. Apesar da redução das cotações, o poder de compra do produtor de tilápia melhorou em junho.

A tilápia brasileira, e por consequência a produzida em Mato Grosso do Sul, pode ser atingida pelo movimento tarifário anunciado pelo governo dos Estados Unidos contra bens importados do Brasil. Em 1º de junho, o USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos) concluiu uma investigação conduzida com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana e propôs a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. A recomendação foi apresentada como resposta a práticas comerciais que o órgão considera injustas, mas a decisão sobre a implementação cabe ao presidente Donald Trump.

Em 3 de junho, o USTR apresentou outra proposta, de 12,50%, associada a uma investigação sobre suposto uso de trabalho forçado. Até então, não havia esclarecimento sobre uma eventual aplicação cumulativa das duas penalidades. A proposta de 25% recebeu manifestações contrárias de empresas e entidades. Em 1º de julho, companhias como Coca-Cola, Nestlé, Tesla, Faber-Castell, eBay e Siemens Energy enviaram comentários ao USTR pedindo que a cobrança não fosse implementada. Em 6 de julho, representantes empresariais e associativos do Brasil e dos Estados Unidos reforçaram a oposição durante audiência pública.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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