15/05/2026
Ferro Notícias»Notícias»Ex-secretário preso chefiava ‘estrutura paralela’ em desvio de tapa-buracos

Ex-secretário preso chefiava ‘estrutura paralela’ em desvio de tapa-buracos

Preso na Operação “Buraco Sem Fim”, o ex-secretário de Infraestrutura e Serviços Públicos de Campo Grande, Rudi Fiorese, é apontado pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) como o responsável pelo “comando estratégico” da organização investigada. O grupo é suspeito de fraudar contratos milionários de manutenção viária e tapa-buracos por meio de medições superfaturadas e pagamentos indevidos a empreiteiras.

No pedido encaminhado à Justiça, os promotores sustentam que Rudi exercia papel central na validação de planilhas, definição de valores e liberação de pagamentos. “O comando estratégico desta organização contava com a ciência e participação de Rudi Fiorese, que validava as medições superfaturadas e solicitava urgência na agilização de empenhos e pagamentos”, afirma o Gecoc.

O esquema teria funcionado entre 2018 e 2025 dentro da Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos). A suspeita é de que servidores e empresários manipulavam medições para liberar pagamentos acima do que foi executado.

As investigações usam mensagens extraídas dos celulares de Rudi Fiorese e do ex-superintendente da Sisep, o engenheiro Mehdi Talayeh. Em uma conversa, Rudi teria dito: “Pode manter isso aí então, pra dar uma jogada fácil aqui”.

A investigação descreve uma estrutura paralela de gerenciamento de medições e pagamentos. Em um dos diálogos, Mehdi Talayeh escreveu: “Estou vendo com o Rudi e retorno”. No dia seguinte, ordenou: “Soma das duas Rial 740 / fecha agora cedo o quanto antes e já passa pro Fernando”. O valor foi fechado em R$ 740.792,93.

Em 30 de julho de 2020, Mehdi enviou uma foto de uma caderneta com nomes de empresas e valores para Rudi, que respondeu com um “ok”. Para os investigadores, isso reforça a suspeita de um controle paralelo dos pagamentos.

Após deixar a prefeitura em 2023, Rudi assumiu cargo no Governo do Estado e assinou contratos com a Construtora Rial Ltda., alvo da operação. Em três meses, ele empenhou R$ 15 milhões para a empreiteira já na estrutura estadual. Durante o cumprimento dos mandados, a polícia encontrou R$ 186 mil em espécie na casa do ex-secretário.

O Governo de Mato Grosso do Sul informou que iniciou a revisão e fiscalização dos contratos com a Rial. A Prefeitura de Campo Grande disse que os servidores investigados foram exonerados e que acompanha o trabalho do Gecoc.

A defesa de Rudi Fiorese classificou a prisão como “desarrazoada”. O advogado de Mehdi afirmou que as acusações são sobre vias não pavimentadas e que confia na inocência do cliente.

Avatar photo

Sobre o autor: Sofia Almeida

Ver todos os posts →