Uma campanha com álbuns e figurinhas da Copa do Mundo levou distração a pacientes da ala pediátrica do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap), em Campo Grande, nesta quinta-feira (11). A ação, organizada pelo empresário Bruno Nóbrega, arrecadou cerca de 90 álbuns e mais de mil figurinhas para crianças que estão longe da escola e de casa.
A ideia surgiu depois que a sobrinha de Bruno contou que um amigo estava internado e não conseguia trocar figurinhas com os colegas. “Minha sobrinha tinha um amigo internado. Ela comentou com o pai dela que o amigo não estava na aula, estava no hospital. Eu falei: vou levar essa ideia lá para o Hospital Universitário”, disse Bruno.
O diretor do hospital, Carlos Coimbra, aceitou a proposta. Escolas, empresas e voluntários se mobilizaram para arrecadar os itens. “A gente conseguiu uma média de 90 álbuns e mais de mil figurinhas. Algumas escolas estão fazendo gincana para arrecadar também. Dependendo da quantidade de doações, dá para atender outras entidades”, afirmou o empresário.
A intenção é criar uma rotina de troca entre as crianças internadas, como acontece fora do hospital. “A ideia é que depois eles troquem as figurinhas repetidas por aqui mesmo. É para esquecer um pouquinho essa internação. Lá fora está todo mundo trocando figurinha, todo mundo brincando, e aqui eles também podem entrar nesse clima”, explicou Bruno.
O empresário contou que percebeu o efeito da campanha antes da entrega. Durante a organização, encontrou uma menina que receberia alta no dia anterior à ação. Ao saber que os álbuns seriam entregues no dia seguinte, ela pediu ao pai para ficar mais um dia no hospital. “Ela falou: ‘pai, posso ficar mais um dia?’. Aquilo me arrepiou. Quebrou esse clima de hospital”, relatou.
Segundo Carlos Coimbra, cerca de 30 crianças ficam internadas, em média, nas áreas pediátricas, incluindo UTI Neonatal e UTI Pediátrica. O hospital também atende um número maior de crianças no ambulatório. Coimbra afirmou que ações da sociedade ajudam no cuidado com os pacientes. “A gente sempre apoia ações, principalmente quando vêm da sociedade para dentro do hospital. Ficamos muito felizes”, disse.
Ele destacou que iniciativas com voluntários, personagens, música e cães já fazem parte da rotina de humanização do hospital. “Trazer alegria e conforto para os pacientes comprovadamente melhora o estado clínico dessas crianças. O mais importante não é só completar os álbuns, mas distrair, trazer alegria e fazer com que elas entrem no clima da Copa”, afirmou.
A campanha segue até 30 de junho, com arrecadação em pontos espalhados pela cidade. Entre as famílias atendidas estava a de Anderson Vieira Pires, de 37 anos, que acompanha o filho Daniel, de 4 anos, internado por pneumonia. “Ele veio para Campo Grande na quinta. Ainda não tinha dado tempo de comprar. Agora já vai levar de volta para Nioaque”, disse o pai.
Para Anderson, a surpresa alivia a ansiedade da internação. “As crianças ficam muito paradas aqui no hospital, ficam ansiosas, querendo ir para casa. Dá um ânimo a mais”, afirmou. A dona de casa Edna Nazário acompanhava a filha Emanuele, de 7 anos, internada havia oito dias por pneumonia. Ela disse que a ação ajudou a quebrar a rotina. “Foi superlegal, descontraído. Fica aqui muito tempo, aí termina achando o que fazer”, contou. Emanuele preferiu guardar parte dos pacotes para abrir com a irmã em casa.
