A Inteligência Artificial deixou de ser apenas uma ferramenta de consulta e passou a ocupar espaço na rotina dos escritórios de advocacia. Em Mato Grosso do Sul, profissionais usam a tecnologia para reduzir tarefas administrativas, organizar informações, automatizar procedimentos e ganhar tempo para atividades que exigem análise jurídica e decisão humana.
As possibilidades práticas e os cuidados necessários para incorporar a tecnologia à profissão foram discutidos na sexta-feira durante oficina promovida pela Comissão de Tecnologia e Inteligência Artificial da OAB-MS, no plenário da entidade, em Campo Grande. O encontro abriu a programação da Semana do Advogado.
A advogada Suyane Liuti relatou que a adoção da IA já provocou mudanças concretas no funcionamento de seu escritório, principalmente na execução de serviços administrativos. Segundo ela, as ferramentas passaram a absorver atividades que antes exigiam mais tempo e trabalho operacional, reduzindo a demanda administrativa e permitindo uma rotina mais eficiente.
Em vez de substituir o trabalho jurídico, a IA pode funcionar como apoio em tarefas repetitivas, organização de informações e processos internos, liberando o profissional para atividades que dependem de conhecimento técnico, estratégia e relacionamento com o cliente.
O desafio está em saber até onde delegar tarefas às máquinas. Durante a oficina, o advogado Revair chamou atenção para a quantidade crescente de ferramentas disponíveis e para a necessidade de utilizá-las sem comprometer a segurança e a responsabilidade profissional.
“Uma das grandes dificuldades da Advocacia é compreender como utilizar as diversas ferramentas de Inteligência Artificial disponíveis no mercado de forma responsável, sem comprometer a integridade da atuação profissional. Nesta oficina, trabalhamos de maneira prática desde a elaboração de prompts até o uso de automações e recursos que otimizam a rotina dos escritórios”, explicou.
A programação levou aos participantes aplicações que podem ser incorporadas ao cotidiano profissional. Entre os conteúdos apresentados estiveram técnicas para elaboração de prompts — os comandos utilizados para orientar sistemas de IA —, aplicação de skills e automação de tarefas.
A discussão também passa pela capacidade do advogado de conferir, interpretar e assumir responsabilidade pelo conteúdo produzido com auxílio da tecnologia. A rapidez oferecida pela IA não elimina a necessidade de revisão humana nem transfere para o sistema a responsabilidade técnica que continua sendo do profissional.
Na advocacia, a questão já não é apenas saber se a Inteligência Artificial será utilizada, mas como incorporá-la sem abrir mão da ética, do sigilo, da segurança das informações e da qualidade do serviço jurídico. Automatizar tarefas pode significar menos tempo gasto com burocracia e mais tempo dedicado àquilo que permanece essencialmente humano na advocacia: interpretar, argumentar, decidir e defender interesses.
