24/07/2026
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Mãe de menina autista agredida diz que padrasto era “figura de pai”

Mãe de menina autista agredida diz que padrasto era “figura de pai”

Em uma gravação que circula na imprensa paraguaia, a suposta mãe da menina brasileira de 6 anos com TEA (Transtorno do Espectro Autista) agredida pelo padrasto afirma que o rapaz era visto pela criança como uma “figura de pai”. O áudio foi divulgado nesta quinta-feira (23). A mulher diz que não tenta justificar as agressões e alega que o episódio foi isolado.

Na mensagem, a mulher se apresenta como mãe da criança e afirma, em espanhol, que passou a ser apontada como “negligente” desde que o caso ganhou repercussão. Ela nega que tenham ocorrido outras agressões dentro de casa e afirma que a família sempre foi unida. “A sociedade está contra mim como se eu fosse uma mãe ruim nesta situação. O que aconteceu não tem justificativa, e também não estou defendendo o agressor, mas quero que a verdade seja dita. Isso nunca aconteceu em casa”, diz.

A suposta autora também acusa familiares paternos de divulgar informações falsas. Ela afirma que algumas pessoas teriam sido pressionadas a prestar declarações e diz possuir provas para sustentar sua versão. “A sociedade precisa saber a verdade porque essas pessoas foram longe demais ao me incriminar. Existem muitas mentiras e muitas coisas que mandaram fazer sob pressão”, afirma.

Ela ainda defende a família do companheiro e acusa familiares paternos de tentar obter vantagens financeiras relacionadas a benefícios sociais. “Os parentes da minha filha dependem do governo e usam qualquer situação para tirar proveito. Não se importaram em expor a imagem de uma criança”, diz.

A mulher afirma que pretende apresentar documentos para comprovar suas declarações e aceita passar por exame toxicológico. Ela também sustenta que o pai biológico esteve ausente da criação da filha.

O caso

A menina foi levada ao Hospital Regional de Pedro Juan Caballero com hematomas nas costas, peito, pescoço, rosto, braços e nádegas. A mãe havia saído para trabalhar e deixou a filha sob os cuidados do companheiro. O hospital comunicou o caso depois que a equipe médica identificou lesões compatíveis com agressões.

O padrasto, de 23 anos, foi preso e encaminhado para a Penitenciária Regional de Pedro Juan Caballero. O médico legista Marcos Prieto informou que os ferimentos podem ter sido provocados com as mãos ou um pedaço de madeira. A Promotoria do Paraguai também passou a investigar a conduta da mãe por suspeita de falha no dever de cuidado com a filha.

Na terça (21), o juiz paraguaio Edison Escobar concedeu a guarda provisória da menina a um casal de pastores indicado pela mãe. Uma avaliação psicológica apontou vínculo afetivo entre a criança e os responsáveis. O magistrado proibiu a mãe de se aproximar da filha e autorizou visitas do pai biológico.

A decisão provocou reação da família paterna, da OAB-MS (Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Mato Grosso do Sul) e de representantes políticos, que defenderam a concessão da guarda ao pai ou à avó paterna. A presidente da Associação de Pais e Amigos dos Autistas de Ponta Porã, Vanessa dos Santos, divulgou denúncia de que a mãe teria recebido R$ 8 mil da avó da criança sob a promessa de devolvê-la, mas não cumpriu o acordo.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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