Moradores e comerciantes do Bairro Amambaí, em Campo Grande, voltaram a protestar nesta segunda-feira (dia 10) contra a transferência do Centro POP (Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua) para um imóvel ao lado da Escola Municipal José Rodrigues Benfica. O grupo se reuniu em frente à SAS (Secretaria Municipal de Assistência Social) com faixas, cartazes e nariz de palhaço.
O comerciante e morador do bairro, José Roberto Moura, de 55 anos, afirmou que a região já sofre com os problemas da antiga rodoviária. “Nós já sofremos. Esse bairro é o mais antigo de Campo Grande e não somos assistidos em nada. Não temos uma praça revitalizada no bairro Amambaí. Só praça que tem, infelizmente, usuários de droga. Não temos um posto de saúde. O centro vai ser ao lado de uma escola municipal, onde crianças descem no ponto de ônibus. Nós não fomos ouvidos em nada”, disse.
Segundo José, os moradores foram informados de que o Centro POP funcionará das 7h às 17h. “Aí põe todo mundo para fora e fecha. E das sete da noite às sete do outro dia, eles vão ficar aqui na frente. Precisa ser melhor estudado, melhor conversado. A nossa sugestão do Centro POP, e que nós estudamos um pouco, é num bairro com uma deficiência do poder público. A Vila Nha Nhá. Por que que não leva para lá?”, questionou.
A presidente da Associação dos Moradores e Amigos do Bairro Amambaí, Rosane Nely, de 58 anos, classificou a mudança como uma tragédia anunciada. “Tinha que ter feito um estudo de impacto social, esse é um equipamento que jamais pode, na minha opinião, ser colocado no centro da cidade. Ainda mais do lado de uma escola. A gente está pedindo respeito. O Bairro Amambaí é o primeiro da cidade, faz parte da história. Campo Grande começou aqui”, afirmou.
Daniela Zanetti, de 33 anos, mãe de um aluno de 6 anos, disse estar preocupada com a segurança. “O Centro POP não deveria estar do lado da escola. Deveria estar em um outro ambiente. A minha preocupação é a segurança das crianças. O exemplo que elas vão ter. Meu filho é autista, então ele questiona muitas coisas, ele vê, ele pergunta. Então como é que eu vou explicar todo dia alguém usando droga ou deitado bebendo”, relatou.
A GCM (Guarda Civil Metropolitana) acompanhou o protesto na rua, monitorando o trânsito. Atualmente, o Centro POP fica na Rua Joel Dibo. A Prefeitura de Campo Grande anunciou a transferência para a Rua dos Barbosas em maio. O primeiro protesto ocorreu em julho.
A SAS informou que o novo Centro POP tem previsão de conclusão para o final de agosto. “O prédio pertence à prefeitura e está sendo estruturado para realizar atendimento diário a pessoas em situação de vulnerabilidade social, especialmente à população em situação de rua, proporcionando um ambiente adequado, acolhedor e funcional para execução dos serviços tipificados da assistência social”.
Conforme a prefeitura, a nova unidade representa uma melhoria concreta tanto para a população atendida quanto para as equipes de trabalho, garantindo mais estrutura, melhores condições de atendimento e maior qualidade na execução dos serviços socioassistenciais. “Ressaltamos que a SAS está alinhando com a Segurança Pública do município para que as rondas sejam intensificadas na região quando a unidade estiver implementada. É importante destacar que no local já funciona, há mais de um ano, o Serviço Especializado em Abordagem Social, responsável pelo atendimento e abordagem à população em situação de rua, por isso no local já existe movimentação pontual desse público”, informou a secretaria em nota.
