17/07/2026
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Produtores rurais de MS já podem renegociar dívidas no BB

Produtores rurais de MS já podem renegociar dívidas no BB

Produtores rurais de Mato Grosso do Sul já podem procurar as agências do Banco do Brasil para manifestar interesse na renegociação de dívidas, mesmo antes da regulamentação completa da Medida Provisória nº 1.376/2026. A informação foi dada pelo diretor de Agronegócios e Agricultura Familiar do Banco do Brasil, Alberto Martinhago Vieira, em entrevista ao Campo Grande News. O superintendente de Varejo do banco no estado, Fernando Porto Flor, também participou da conversa.

A medida provisória, assinada pela Presidência da República na quarta-feira (15), permite a renegociação de financiamentos de produtores que tiveram perdas de safra entre 2019 e 2025. As condições incluem juros de 5% a 12% ao ano e prazo de até oito anos para pagamento. Os interessados têm até 12 de novembro para contratar o novo empréstimo.

A MP atende agricultores familiares, pequenos, médios e grandes produtores, além de cooperativas. Também permite a emissão de novas Cédulas de Produto Rural (CPRs) para quitar títulos não pagos. Segundo o Ministério da Fazenda, mais de R$ 100 bilhões em dívidas rurais poderão ser renegociados.

Vieira afirmou que, embora ainda sejam aguardadas uma resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN) e uma portaria do Ministério da Fazenda, as agências já estão preparadas para atender os produtores. “Desde o dia do anúncio, nós já temos produtores ligando para gerentes, manifestando o interesse deles em fazer adesão às linhas da medida provisória”, disse.

Segundo o executivo, produtores com cadastro, limite de crédito e garantias atualizados poderão renegociar a dívida e contratar recursos do Plano Safra. Em operações de custeio, o dinheiro pode ser liberado no mesmo dia, desde que a documentação esteja regular.

O Banco do Brasil, maior operador de crédito rural do país, tem participação entre 40% e 50% nas operações do Plano Safra. Em Mato Grosso do Sul, a fatia é de cerca de 45%, podendo chegar a 70% em linhas específicas. A inadimplência da carteira rural da instituição gira em torno de 6,2% no Brasil. No estado, o percentual ficou entre 8% e 10%, mas já apresenta redução. Vieira destacou que mais de 90% dos produtores continuam pagando em dia.

Além da renegociação, o risco climático passou a ocupar espaço nas conversas. Vieira afirmou que o banco monitora as projeções para o El Niño e já percebe mudanças no planejamento da safra. Cerca de 40% das operações contam com seguro agrícola ou cobertura do Proagro. Para ele, 2026 deve ser um ano de maior discussão sobre o uso do seguro rural e de instrumentos de proteção de preços, como a comercialização antecipada da produção.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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