A Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul aprovou, em primeira discussão, nesta quinta-feira (6), o Projeto de Lei 76/2026, que cria o Dia Estadual do Tatu-Canastra. A data será celebrada anualmente em 13 de agosto, mesma data do Dia Internacional do Tatu. A proposta é do deputado estadual Professor Rinaldo Modesto (União) e ainda precisa passar por segunda votação antes de seguir para sanção do governador.
Segundo o autor do projeto, a iniciativa partiu de uma solicitação do ICAS (Instituto de Conservação de Animais Silvestres), que desenvolve pesquisas e ações de proteção à espécie no Pantanal. “O objetivo é fortalecer as ações de educação ambiental, ampliar a conscientização sobre a conservação da biodiversidade. O tatu-canastra é considerado o engenheiro dessa região. As tocas que ele faz se tornam ambiente seguro para outras espécies. É também uma forma de enaltecer o trabalho desenvolvido pelo ICAS em favor do equilíbrio do ecossistema pantaneiro”, afirmou o deputado durante a votação.
O parlamentar lembrou ainda que, somente em 2025, as ações de educação ambiental promovidas pelo instituto alcançaram mais de 52 mil pessoas.
O engenheiro da natureza
Conhecido cientificamente como Priodontes maximus, o tatu-canastra é o maior tatu do mundo. Ele escava enormes galerias subterrâneas que continuam sendo utilizadas muito tempo depois de abandonadas. Essas tocas funcionam como abrigo contra predadores, incêndios e temperaturas extremas para mais de 70 espécies de mamíferos, aves, répteis e outros animais. Por isso, pesquisadores o classificam como um verdadeiro engenheiro do ecossistema.
Pesquisa
O Programa de Conservação do Tatu-Canastra teve início em 2010, na Fazenda Baía das Pedras, na região da Nhecolândia, em Corumbá. Desde então, pesquisadores utilizam armadilhas fotográficas, radiotransmissores, GPS e coleta de material biológico para compreender o comportamento da espécie, considerada uma das menos conhecidas da fauna brasileira. Após mais de uma década de estudos, 44 indivíduos já foram monitorados no Pantanal.
Mesmo assim, o tatu-canastra continua sendo considerado vulnerável. Sua população é pequena, cerca de sete a oito indivíduos a cada 100 quilômetros quadrados, e a reprodução ocorre lentamente, já que as fêmeas dão à luz apenas um filhote a cada três ou quatro anos. A perda de habitat, os incêndios florestais e a fragmentação ambiental figuram entre as principais ameaças à sobrevivência da espécie.
Conservação que beneficia todo o Pantanal
Além da pesquisa científica, o programa também investe na formação de profissionais e na proteção do bioma. Mais de 100 estagiários e voluntários já foram capacitados em técnicas de conservação da fauna silvestre. Em 2021, o projeto ajudou a criar uma brigada comunitária de combate aos incêndios, que hoje reúne 25 propriedades rurais e atua na proteção de aproximadamente 160 mil hectares do Pantanal. Para os pesquisadores, preservar o tatu-canastra significa conservar toda a rede de vida que depende dele para sobreviver.
Próximos passos
O projeto foi aprovado em primeira discussão com 15 votos favoráveis, sem votos contrários, durante sessão com a presença de 22 deputados estaduais. Se for aprovado novamente em segunda votação e sancionado pelo governador, Mato Grosso do Sul passará a celebrar oficialmente, todos os anos, em 13 de agosto, o Dia Estadual do Tatu-Canastra, reforçando as ações de educação ambiental e de valorização de uma das espécies mais importantes para o equilíbrio do Pantanal.
