O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) aprovou o novo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) para o cultivo de milho segunda safra em Mato Grosso do Sul. As regras valem exclusivamente para o ano-safra 2026/2027 e indicam os períodos de semeadura com menor possibilidade de perdas provocadas pelo clima.
A medida foi oficializada por meio de uma portaria, publicada nesta quinta-feira (30). O estudo classifica as áreas e épocas de plantio conforme riscos climáticos de 20%, 30%, 40% ou superiores a 40%, situação considerada inviável.
O zoneamento funciona como um calendário técnico para ajudar o produtor a decidir quando plantar o milho safrinha em cada município. A análise considera fatores como disponibilidade de água no solo, distribuição das chuvas, temperaturas baixas, possibilidade de geada, excesso de umidade e duração do ciclo de cada cultivar.
O documento não apresenta diretamente a lista dos municípios e as respectivas datas de plantio. Essas informações devem ser consultadas no Sistema de Zoneamento Agrícola de Risco Climático (SisZarc), no painel eletrônico do Mapa ou no aplicativo Plantio Certo.
Os períodos são divididos em decêndios, intervalos de dez dias. Assim, cada mês é separado em três faixas: do dia 1º ao dia 10, do dia 11 ao dia 20 e do dia 21 até o fim do mês.
Para calcular os riscos, o Mapa utilizou séries históricas registradas entre 1992 e 2022. A base reúne informações de estações meteorológicas e pluviométricas do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTEC/Inpe) e de redes estaduais.
Também foram empregados dados de satélite em regiões com poucas estações de medição. Ao todo, o estudo nacional avaliou cerca de 3.935 séries históricas de chuva e informações de temperatura obtidas a partir de 735 estações meteorológicas.
Entre os riscos analisados estão a falta de água durante o estabelecimento, florescimento e enchimento dos grãos, temperaturas médias abaixo de 18°C no período de florescimento, mínimas inferiores a 2°C e excesso de umidade durante a maturação.
As cultivares foram separadas em três grupos conforme o tempo necessário entre a semeadura e a maturação dos grãos. O Grupo I reúne variedades com ciclos de até 110 dias. O Grupo II inclui ciclos de 110 a 130 dias, enquanto o Grupo III abrange cultivares com mais de 130 dias.
O zoneamento também considera seis classes de solo, definidas conforme a capacidade de armazenamento de água. Quanto maior essa capacidade, mais tempo a planta consegue suportar períodos sem chuva.
Não são recomendadas para o cultivo áreas de preservação permanente, terrenos com solos de menos de 50 centímetros de profundidade, locais excessivamente pedregosos, várzeas inundáveis com baixa drenagem e áreas que estejam em desacordo com a legislação ambiental.
As regras são voltadas às lavouras de sequeiro, que dependem das chuvas. Áreas irrigadas não ficam restritas às datas definidas pelo zoneamento, mas devem seguir recomendações técnicas adequadas às condições de cada propriedade.
O próprio documento ressalta que o cumprimento das datas indicadas não garante a produtividade da lavoura. Problemas relacionados à fertilidade do solo, controle de pragas, doenças, plantas daninhas ou escolha inadequada da cultivar podem aumentar as perdas, mesmo quando o plantio ocorre dentro do período recomendado.
Além de orientar a produção, o Zarc costuma ser usado como referência para acesso a programas de seguro rural, crédito agrícola e mecanismos de proteção contra perdas climáticas.
