02/08/2026
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Milly Lacombe: Xuxa, colã e a liberdade de envelhecer

A colunista Milly Lacombe, do UOL, analisa a repercussão do retorno de Xuxa aos palcos com a turnê “O Último Voo da Nave”. Segundo a colunista, a apresentação da artista, que tem 63 anos, reacendeu um debate sobre o envelhecimento do corpo feminino e a liberdade da mulher.

Lacombe aponta que Xuxa voltou a cantar para a mesma geração que a acompanhava no final dos anos 80 e início dos 90, época do “Xou da Xuxa”, exibido pela Globo entre 1986 e 1992. Naquele período, uma jovem de 23 anos dançando de colã era algo natural, mas hoje, com a idade que tem, a artista enfrenta críticas por não se recolher ao espaço privado.

A colunista compara a situação de Xuxa com a de Madonna e afirma que ambas decidiram desafiar uma regra implícita na sociedade. O incômodo gerado pela apresentação, na visão da autora, estaria ligado à liberdade do corpo feminino envelhecido. Ela argumenta que as sociedades historicamente tentam limitar essa liberdade, e que a reação atual é fruto de machismo e misoginia.

O texto também menciona que Xuxa lotou o estádio e chorou ao falar sobre o ódio recebido. No segundo show, ela optou por esconder a virilha, que havia causado polêmica na primeira apresentação. Para a colunista, essa reação contrasta com uma estrutura de poder masculinista, que ela associa a casos como os de Epstein e Vorcaro.

Por fim, Lacombe conclui que, apesar do ódio, o amor ainda é maior, e que a histeria em torno do corpo de uma mulher de mais de 60 anos é feita do mesmo material que aceitou o corpo de 23 anos de colã entretendo crianças.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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