03/08/2026
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PSOL registra 1º plano de governo em MS com foco em saúde e moradia

PSOL registra 1º plano de governo em MS com foco em saúde e moradia

O PSOL foi o primeiro partido a registrar programa de governo para as Eleições 2026 em Mato Grosso do Sul. O pedido de candidatura de Lucien Rezende ao governo do estado já consta no sistema DivulgaCand, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Até esta segunda-feira (3), o registro dele era o único disponível para o cargo de governador.

Junto com o pedido, Rezende protocolou um plano de governo de 10 páginas, documento exigido pela Justiça Eleitoral. O programa traz diretrizes para várias áreas da administração pública, com destaque para o fortalecimento do SUS, valorização dos servidores, preservação ambiental, políticas habitacionais, educação e mudanças na segurança pública.

Na introdução, a federação PSOL-Rede afirma que a estratégia em Mato Grosso do Sul tem três eixos: apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), fortalecimento de candidaturas legislativas ligadas a pautas trabalhistas e mobilização pelo fim da escala de trabalho 6×1. O texto também menciona a defesa dos direitos sociais, dos povos indígenas e da sustentabilidade ambiental.

A saúde é o tema com maior espaço no plano. As propostas incluem ampliar investimentos no SUS, fortalecer a rede pública estadual e expandir o programa Mais Médicos para regiões afastadas, periferias, comunidades indígenas e municípios com falta de profissionais. O documento prevê ainda a criação do programa “Saúde em Casa”, para atendimento domiciliar de idosos, pessoas com deficiência e pacientes com dificuldade de locomoção, com equipes multidisciplinares, UTIs móveis e atendimento preventivo e emergencial.

Outra diretriz é a regionalização da saúde, com reforço em hospitais regionais e unidades especializadas para reduzir o deslocamento de pacientes. O plano também propõe valorização dos profissionais da área, com melhores salários, planos de carreira e qualificação permanente, além de políticas específicas para indígenas, população negra, mulheres, população LGBTQIA+, pessoas com deficiência e moradores de periferias e zona rural.

Na educação, Rezende propõe ampliar o ensino em período integral, valorizar professores e servidores administrativos e realizar concursos públicos para suprir a falta de profissionais na rede estadual. O documento defende uma educação pública, gratuita, inclusiva e de qualidade.

Na segurança pública, o plano afirma que o estado precisa de uma política baseada em inteligência, prevenção e respeito aos direitos humanos. As propostas incluem investimentos em tecnologia, integração das forças de segurança e cooperação com órgãos federais e internacionais por causa da condição de estado fronteiriço. Também prevê valorização dos profissionais, políticas de saúde mental para agentes e ações sociais em áreas periféricas para prevenir a violência. O texto ainda defende prevenção à violência contra mulheres, combate ao feminicídio, proteção às populações indígenas e enfrentamento ao racismo estrutural.

Na habitação, a proposta cria um programa estadual de habitação popular em parceria com os 79 municípios. O público prioritário seria formado por famílias de baixa renda, mulheres chefes de família, pessoas em vulnerabilidade, indígenas, quilombolas e pessoas com deficiência. O plano também sugere uso de tecnologias construtivas, como casas modulares e sustentáveis, além de regularização fundiária, urbanização de bairros periféricos, aluguel social e mutirões habitacionais.

No meio ambiente, o documento propõe ampliar a fiscalização contra desmatamento e queimadas ilegais, recuperar áreas degradadas e incentivar o desenvolvimento sustentável. O texto critica os impactos da expansão da indústria de celulose no leste do estado, citando o aumento da mortalidade de animais silvestres nas rodovias por causa do tráfego de caminhões. Também defende fiscalização mais rigorosa sobre a mineração em Corumbá e fortalecimento dos órgãos ambientais.

Na cultura, o plano prevê um calendário estadual permanente de eventos, ampliação de editais públicos, descentralização dos investimentos e fortalecimento das manifestações culturais indígenas, afro-brasileiras, pantaneiras, sertanejas, urbanas e periféricas. No esporte, defende ampliação da infraestrutura pública, programas de incentivo ao esporte de base, escolar e universitário, e políticas de inclusão para mulheres, pessoas com deficiência, população LGBTQIA+, idosos e moradores de periferias.

Sobre emprego e renda, o documento cita a expansão da indústria de celulose, mas questiona o modelo de desenvolvimento. Segundo o plano, apesar da geração de empregos e do aumento da arrecadação, grandes empresas recebem incentivos fiscais enquanto persistem desigualdade social, baixos salários e carências em infraestrutura.

O plano de governo integra a documentação obrigatória dos candidatos ao Executivo no registro de candidatura e fica disponível para consulta pública no DivulgaCand.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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